terça-feira, 11 de março de 2014

A menina que roubava livros - Markus Zusak

                   

   Já faz um tempinho que li esse livro. Acho que mais de dois meses. Mas a história é bastante boa e condiz com sua fama.
   A princípio, quando o livro me foi oferecido como uma boa leitura, eu o recusei por achar que, por ter como plano de fundo a Segunda Guerra Mundial, ele seria um pouco pesado, pois logo me veio a lembrança do "Diário de Anne Frank" e "O menino de pijama listrado". Mas depois que o li realmente adorei, pois o autor trata desse tema com intensidade, mas de forma sensível também.
   O livro é narrado pela própria Morte, que é personificada pelo autor, e faz piadas e trocadilhos que só mesmo essa posição permitiria, o que dá um ar de descontração e irreverência à história.
   A obra conta a vida de Liesel Meminger - ou roubadora de livros, como a narradora gosta de chamá-la - uma menina pobre, de vida difícil, que logo nas primeiras páginas perde o irmão e é deixada para a adoção pela mãe, que não tem condições de criá-la. Em decorrência dessas circunstâncias ela vai parar na rua Himmel, uma insignificante ruela na parte pobre de uma cidadezinha alemã que, ironicamente tem como significado "céu", apesar de sua precariedade. Lá, Liesel faz amizade com Rudy, que viria a ser seu melhor amigo. Sua nova mãe gosta da menina, apesar de não demonstrar. Mas por outro lado, seu novo pai é muito carinhoso com ela e é marcado na história como "o tocador de acordeão". Entrará na vida de Liesel ainda, a mulher do prefeito e sua sedutora biblioteca e um judeu muito especial.
   Apesar de todas as dificuldades que a roubadora de livros enfrenta, ela tem uma vida de sutís alegrias e travessuras, como roubar maçãs em um pomar e ler seus escassos, mas queridos livros. Afinal de contas ela é uma criança e, apesar de tudo, é feliz como tal, na medida do possível.

sexta-feira, 7 de março de 2014

As crônicas de Nárnia - C.S.Lewis

               

Li esse livro agora, pouco antes do Carnaval. Ele é intitulado infanto-juvenil pela editora e conto de fadas pelo próprio autor. Um livro com sátiros, faunos, animais falantes, feiticeiras, gigantes, príncipes e princesas. É, pode-se chamar sim de contos de fadas.
   Bom, sempre ouvi falar muito bem das "Crônicas de Nárnia". Posso dizer que, pelo menos na minha concepção, é um clássico da literatura do século XX. Resolvi lê-las, na versão completa e reunidas em um único volume.
   Devo dizer que o livro é fantástico. Para quem gosta de fantasia e aventura, com certeza vale a pena tê-lo em casa, pois é o tipo de livro para se ler e reler.
   Ele tem traços fortes de espiritualidade. É um livro rico e com uma incrível relação com o divino. Deus é retratado de forma clara, representado pelo Grande Leão Aslam. Um ser divino, filho do imperador de além-mar e que é envolvido em um instigante ar misterioso. Nas crônicas, é retratada toda sua influência sobre Nárnia, inclusive no surpreendente momento da criação, quando ele cria tudo o que virá a existir em Nárnia apenas cantando.
   A história dos sete livros se passa alguns anos antes e alguns depois da Primeira Guerra Mundial, no mundo real, pois em Nárnia a época lembra a Idade Média com as mesmas características de vestir falar e viver. As quatro crianças protagonistas são Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, sendo que, a cada livro se agrega novos personagens como Cáspian e Eustáquio, entre outros.
   Além de uma leitura fascinante, há também um artigo de C.S.Lewis intitulado "Três maneiras de escrever para crianças". Um artigo que me encantou, principalmente quando ele diz que adultos é que são levados a sério e que tudo relacionado a crianças é tido como algo sem importância, mas que para ele é justamente o contrario. Adultos que admiram adultos, que se preocupam em ser adultos e desprezam o infantil, são exatamente as crianças, pois essas são características de uma criança/adolescente.
   Outra concepção dele também bem interessante é a de 'crescimento'. Ele diz que o crescimento é aquilo que agrega, que soma. Diz que um adulto não precisa deixar de gostar de contos de fadas apenas por que é um adulto. Claro que outras leituras irão lhe interessar, mas as antigas não precisam ser abandonadas, e isso é crescimento. De outro modo serão apenas mudanças.
   
“As histórias para crianças que só interessam às crianças não são boas histórias." – C.S.Lewis
"Como Tolkien, C.S.Lewis redefiniu a natureza da fantasia, acrescentando riqueza, beleza e dimensão... Nos nossos tempos, todo reino da fantasia deve ser avaliado em xomparação com Nárnia." - Lloyd Alexander (1924-2007) foi um influente autor estadunidense que escreveu mais de 40 livros, principalmente romances de fantasia.